Fretados para São Paulo - Não à restrição de circulação
Equivocada a decisão do prefeito Gilberto Kassab que restringe a circulação de fretados na capital paulista.
A partir de 27 de julho os ônibus fretados não poderão circular numa região de 70 quilômetros quadrados da cidade de São Paulo, das 5 às 21 horas.
Além de não trazer o esperado benefício no trânsito da cidade que não pára, mas trafega a lamentáveis 15 km horários, a medida aumentará a sobrecarga do já saturado sistema de transporte coletivo e o pior, estimulará o uso de veículos de passeio, com risco de piorar o tráfego. Um tiro no pé!
Milhares de pessoas utilizam fretados para o transporte diário ao trabalho e estudo na Capital. Somente na Baixada Santista 7 mil usuários, mas devem ser consideradas também a Região Metropolitana de Campinas e do próprio Município de São Paulo.
Mesmo sem os fretados, muitos milhares de usuários vão continuar se deslocando para o trabalho e estudo. Posso afirmar com convicção (depois do recorde histórico de venda de carros no mês de junho de 2009), que uma boa parte dessas pessoas possui carro de passeio, mas não utiliza para ir ao trabalho, por diversas razões, especialmente econômicas.
Apenas para ilustrar, um morador da Baixada Santista (muitos paulistanos têm vindo morar no litoral) gasta em média algo em torno de 1000 a 1200 reais mensais para se deslocarde carroao trabalho em São Paulo. Isto, sem mencionar desgaste do veículoe outros fatores, como o cansaço ao volante. O custo do fretado é bem menor, daí a opção por esta forma de deslocamento.
Com a proibição de circulação dos fretados, milhares de trabalhadores utilizarão seus veículos de passeio para ir ao trabalho. Gastarão mais, mas não cederão ao sistema de transporte coletivo por diversas razões, como veremos:
No melhor cenário, para argumentar, será uma condução até a rodoviária, ônibus intermunicipal, metrô e uma breve caminhada ao local de estudo ou trabalho. Portanto, três conduções diárias, três embarques e desembarques (metrô cheio, ônibus cheio...), três tempos de espera de condução, mais tempo para chegar ao destino. Isto, sem mencionar a volta para casa, quando os trabalhadores exaustos, competirãona Rodoviária com fluxo de turismo nas segundas, sextas, vésperas e retornos de feriados. No final do mês, além do desgaste pessoal que vai refletir na qualidade de vida, saúde e produtividade, serão gastos algo em torno de 900 a 1.000 reais para realizar esse deslocamento.
Portanto, sem o fretado - opção mais econômica e melhor do ponto de vista logístico -, os usuários que puderem utilizar veículo de passeio certamente o farão. E poderão rachar as despesas, rodiziar a direção, bem como os veículos, com um ou mais parceiros.
O saldo dessa medida de restriçãodos fretadosserá uma invasão abrupta de milhares de novos veículos diariamente no Município de São Paulo. Só na Baixada Santista são 7 mil usuários, segundo informações da Assofresp.
Não consigo enxergar vantagem na medida anunciada. Por todas estas razões espero que a equivocada decisão seja revista (estou lutando por isto!) e que os ônibus fretados possam continuar circulando sem restrições na Paulicéia Desvairada.
FÁBIO NUNES
Vereador - PSB